Aluguel por temporada: regras, contrato e uso em plataformas como Airbnb
Entenda as regras do aluguel por temporada: prazo de até 90 dias, cobrança antecipada, contrato, mobília, condomínio, tributação e comparação com o aluguel tradicional.
Leitura de 10 min · Atualizado em 2026-07-10

- A locação por temporada tem prazo máximo de 90 dias e regras próprias na Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91).
- É permitido cobrar todo o aluguel e encargos de forma antecipada, diferente da locação residencial comum.
- O imóvel costuma ser alugado mobiliado, e o inventário de móveis protege as duas partes.
- Condomínios podem restringir o uso por temporada; o STJ admite limites definidos em convenção e assembleia.
- A renda deve ser declarada e pode gerar tributação; confirme as regras vigentes na Receita Federal.
O que é aluguel por temporada
O aluguel por temporada é uma modalidade de locação residencial prevista na Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91, artigos 48 a 50). Ele serve para ocupações de curta duração, como férias, viagens de trabalho, tratamento de saúde ou a realização de um curso em outra cidade. A característica central é o prazo curto: o contrato de temporada não pode ultrapassar 90 dias. Para aprofundar, leia também Lei do Inquilinato: guia prático da Lei 8.245/91.
Diferente da locação residencial comum, que costuma durar 30 meses e tem foco em moradia estável, a temporada é pensada para estadias breves. Por isso, a lei permite regras mais flexíveis em pontos como o pagamento antecipado e a devolução do imóvel ao fim do prazo, sem os mesmos entraves da locação por tempo indeterminado. Para aprofundar, leia também Contrato de aluguel: cláusulas essenciais.
Se o mesmo inquilino permanecer no imóvel por mais de 90 dias sem oposição do proprietário, a locação pode deixar de ser tratada como temporada e passar a seguir as regras da locação residencial comum.
O prazo de até 90 dias e o que acontece depois
O limite de 90 dias é o traço que define a temporada. Dentro desse prazo, o proprietário tem direito de reaver o imóvel na data combinada, sem precisar de motivo especial e sem a exigência de aviso prévio longo típico de outras modalidades. Isso dá previsibilidade a quem aluga o imóvel por curtos períodos ao longo do ano. Para aprofundar, leia também Caução de aluguel: limite legal e devolução.
Se, terminado o prazo, o inquilino continuar no imóvel por mais de 30 dias sem que o proprietário se manifeste, a lei entende que a locação passa a valer por tempo indeterminado, já com feições de locação residencial comum. Nesse ponto, o proprietário perde a facilidade de retomada imediata e passa a depender das regras gerais de denúncia do contrato.
Para evitar surpresas, formalize a saída na data prevista e registre por escrito qualquer prorrogação. Deixar o inquilino permanecer sem novo acordo pode transformar uma temporada em locação de longo prazo.
Cobrança antecipada e garantias
Uma vantagem prática da temporada é que a Lei 8.245/91 autoriza expressamente o proprietário a receber, de uma só vez e de forma antecipada, todo o valor do aluguel e dos encargos do período. Isso reduz o risco de inadimplência, já que o pagamento ocorre antes ou no início da estadia.
Além do pagamento antecipado, o proprietário pode exigir uma das garantias previstas em lei, como caução em dinheiro (limitada ao equivalente a três meses de aluguel), fiança ou seguro-fiança. Na temporada, a caução é a garantia mais comum, pois cobre eventuais danos ao imóvel ou à mobília durante a estadia.
- Pagamento integral e antecipado do aluguel e encargos do período.
- Caução em dinheiro, limitada a três meses de aluguel, para cobrir danos.
- Fiança de terceiro ou seguro-fiança, conforme o combinado.
- Registro claro no contrato de qual garantia foi escolhida (só uma por contrato).
O que colocar no contrato de temporada
Mesmo curto, o contrato de temporada deve ser escrito e detalhado. Ele evita mal-entendidos sobre datas, valores, regras de uso e responsabilidade por danos. Como muitas negociações acontecem à distância, deixar tudo documentado é ainda mais importante.
| Cláusula | O que descrever |
|---|---|
| Partes | Nome, documento e contato do proprietário e do inquilino. |
| Prazo | Datas exatas de início e término, respeitando o limite de 90 dias. |
| Valor e pagamento | Aluguel total, encargos incluídos e forma de pagamento antecipado. |
| Garantia | Tipo (caução, fiança ou seguro) e valor, com regras de devolução. |
| Mobília | Referência ao inventário anexo e estado de conservação. |
| Regras de uso | Número de hóspedes, animais, festas, horário de silêncio. |
| Cancelamento | Política de desistência e reembolso de cada parte. |
Vale incluir também as regras do condomínio, quando houver, e deixar explícito quem paga contas de consumo como energia, água e internet durante a estadia. Quanto mais claro o contrato, menor a chance de conflito na entrada ou na saída do imóvel.
Mobília e inventário: por que fazer
A locação por temporada quase sempre ocorre com o imóvel mobiliado e equipado, pronto para uso imediato. Isso significa móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, utensílios de cozinha e, às vezes, itens de lazer. Todo esse conjunto tem valor e precisa ser controlado.
O inventário é a lista detalhada de tudo o que existe no imóvel, com quantidade e estado de conservação, idealmente acompanhada de fotos. Ele é anexado ao contrato e assinado pelas partes. No fim da estadia, serve de referência para conferir se algo foi danificado ou está faltando, orientando a devolução da caução.
- Liste móveis, eletrodomésticos e utensílios com quantidade e estado.
- Registre fotos datadas na entrada, guardadas junto ao contrato.
- Anote defeitos pré-existentes para não cobrar do inquilino depois.
- Faça a conferência na saída antes de liberar a caução.
Plataformas de hospedagem e o aluguel por temporada
Plataformas digitais de hospedagem, como Airbnb e similares, popularizaram o aluguel de curtíssima duração — muitas vezes de poucos dias. Esse uso, do ponto de vista jurídico, costuma ser enquadrado como locação por temporada, já que respeita o prazo curto e a finalidade de estadia temporária, ainda que a intermediação seja feita por um aplicativo.
Ao anunciar em plataformas, o proprietário deve lembrar que as regras da Lei do Inquilinato continuam valendo na relação com o hóspede, mesmo quando o pagamento e a reserva passam pelo aplicativo. Além disso, cada plataforma tem suas próprias políticas de cancelamento, taxas e resolução de conflitos, que se somam ao contrato.
Guarde comprovantes de reserva, mensagens e o inventário mesmo quando usar uma plataforma. Esses registros ajudam a resolver disputas sobre danos ou cancelamentos.
O condomínio pode proibir aluguel por temporada?
Esse é um dos pontos mais debatidos. A grande rotatividade de hóspedes em locações de curtíssima duração pode gerar preocupações com segurança, barulho e uso das áreas comuns. Por isso, muitos condomínios buscam restringir ou disciplinar essa prática.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já analisou o tema e, em julgados sobre o assunto, admitiu que o condomínio, por meio de sua convenção e de deliberação em assembleia, estabeleça limites ao uso do imóvel para hospedagem de curta duração com alta rotatividade, especialmente em edifícios de perfil exclusivamente residencial. Ou seja, a restrição precisa estar prevista nas regras internas e ser aprovada pelos condôminos, não pode ser imposta de forma isolada.
Antes de anunciar seu imóvel para temporada, verifique a convenção do condomínio e as atas de assembleia. Descumprir regras aprovadas pode gerar multas e disputas judiciais.
Tributação da renda de temporada
A renda obtida com aluguel por temporada é tributável, assim como qualquer receita de locação. Para pessoas físicas, os valores recebidos de aluguel entram na apuração do Imposto de Renda e, dependendo do montante mensal, podem exigir recolhimento por meio do carnê-leão ao longo do ano, além do ajuste na declaração anual.
Quem aluga com frequência e em escala pode avaliar, com apoio de um contador, se compensa formalizar a atividade como pessoa jurídica, o que muda a forma de tributação. As regras e alíquotas variam e podem ser atualizadas, então confirme sempre os valores e obrigações vigentes nas fontes oficiais da Receita Federal antes de decidir.
Taxas cobradas por plataformas e despesas do imóvel podem ter tratamento específico na apuração. Um contador ajuda a organizar recibos e a declarar corretamente.
Temporada x aluguel tradicional: qual escolher
A escolha entre temporada e locação tradicional depende do objetivo do proprietário. A temporada tende a render mais por dia, exige o imóvel mobiliado e dá flexibilidade de uso, mas demanda gestão constante: limpeza, troca de hóspedes, atendimento e períodos vazios entre reservas. Já o aluguel tradicional oferece renda mais estável e previsível, com menos trabalho no dia a dia, porém com valor mensal geralmente menor por metro quadrado.
| Aspecto | Temporada | Aluguel tradicional |
|---|---|---|
| Prazo | Até 90 dias | Em geral 30 meses |
| Mobília | Normalmente mobiliado | Pode ser vazio |
| Renda | Maior por dia, mas oscila | Menor, porém estável |
| Gestão | Intensa e frequente | Baixa após a locação |
| Pagamento | Antecipado do período | Mensal |
| Vacância | Comum entre reservas | Menor durante o contrato |
Não existe opção universalmente melhor. Imóveis em regiões turísticas ou de grande fluxo de negócios costumam se beneficiar da temporada, enquanto imóveis em bairros residenciais com demanda por moradia podem render mais tranquilidade no modelo tradicional. Avalie localização, disponibilidade para gerir e apetite por trabalho operacional.
Cuidados finais antes de alugar por temporada
Antes de colocar o imóvel para temporada, organize a documentação, confirme as regras do condomínio e prepare um contrato e um inventário claros. Defina políticas de cancelamento e de danos e tenha um canal de comunicação ágil com o hóspede. Esses cuidados reduzem conflitos e melhoram a experiência de todas as partes.
- Cheque a convenção do condomínio quanto a locação de curta duração.
- Monte contrato escrito, inventário com fotos e política de cancelamento.
- Combine quem paga contas de consumo durante a estadia.
- Organize recibos para declarar a renda corretamente.
- Considere apoio de um corretor ou administrador para a gestão.
Um corretor ou administrador de imóveis pode cuidar de anúncios, contratos e vistorias, o que ajuda especialmente quem tem pouco tempo para a gestão operacional da temporada.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo máximo do aluguel por temporada?
A Lei do Inquilinato define o limite de 90 dias para a locação por temporada. Se o inquilino permanecer além disso sem oposição do proprietário, a locação pode passar a ser tratada como residencial comum, por prazo indeterminado.
Posso cobrar o aluguel todo de uma vez na temporada?
Sim. A Lei 8.245/91 permite expressamente que o proprietário receba, de forma antecipada e de uma só vez, todo o valor do aluguel e dos encargos do período contratado, o que reduz o risco de inadimplência.
O contrato de temporada precisa ser por escrito?
Embora a lei admita locação verbal em alguns casos, o contrato escrito é fortemente recomendado. Ele registra datas, valores, garantia, inventário e regras de uso, evitando conflitos, sobretudo em negociações feitas à distância.
O condomínio pode proibir aluguel por temporada?
O STJ admite que o condomínio limite a hospedagem de curta duração com alta rotatividade quando isso está previsto na convenção e é aprovado em assembleia. A restrição precisa seguir as regras internas, não pode ser imposta isoladamente.
Aluguel pelo Airbnb é considerado temporada?
Em geral, sim. A locação de curtíssima duração intermediada por plataformas costuma ser enquadrada como temporada, pois respeita o prazo curto e a finalidade de estadia temporária, mesmo com a reserva feita por aplicativo.
Preciso de garantia além do pagamento antecipado?
Pode exigir. Além do pagamento antecipado, o proprietário pode pedir uma garantia, como caução em dinheiro (até três meses de aluguel), fiança ou seguro-fiança, para cobrir eventuais danos ao imóvel ou à mobília.
Por que fazer inventário da mobília?
O inventário lista móveis e equipamentos com estado e fotos, anexado ao contrato. Na saída, ele serve para conferir danos ou faltas e orientar a devolução da caução, protegendo tanto o proprietário quanto o inquilino.
A renda de temporada é tributada?
Sim. A receita de aluguel é tributável e entra na apuração do Imposto de Renda, podendo exigir recolhimento por carnê-leão. As regras e valores variam, então confirme sempre as normas vigentes na Receita Federal.
O que acontece se o hóspede não sair no prazo?
Se o hóspede permanecer por mais de 30 dias após o fim do prazo sem oposição do proprietário, a locação tende a virar por tempo indeterminado. Formalize a saída na data e registre qualquer prorrogação por escrito.
Quem paga as contas de consumo na temporada?
Isso deve estar definido no contrato. É comum que o proprietário inclua contas como água, energia e internet no valor total, mas as partes podem combinar outra forma. O importante é deixar a regra clara por escrito.
Temporada rende mais que aluguel tradicional?
Pode render mais por dia, mas com oscilação e vacância entre reservas, além de exigir gestão constante. O aluguel tradicional oferece renda mais estável e menos trabalho. A melhor opção depende da localização e da disponibilidade para gerir.
Posso ter animais no imóvel de temporada?
Depende do que o contrato e as regras do condomínio permitirem. Muitos proprietários definem se aceitam animais e sob quais condições. Deixe essa regra explícita no anúncio e no contrato para evitar mal-entendidos.
Preciso de corretor para alugar por temporada?
Não é obrigatório, mas um corretor ou administrador pode cuidar de anúncios, contratos, vistorias e atendimento, o que ajuda quem tem pouco tempo para a gestão operacional e a rotatividade de hóspedes.
Conteúdo informativo e educacional; não substitui a orientação de advogados, contadores ou corretores para o seu caso concreto.