Procuração para vender imóvel: como fazer com segurança
Procuração para venda de imóvel: quando usar, como lavrar a procuração pública com poderes específicos, custos, validade e como evitar fraude por procuração falsa.
Leitura de 11 min · Atualizado em 2026-07-10

- Para vender imóvel, a procuração deve ser pública, lavrada em cartório de notas, com poderes específicos de venda.
- É útil quando o vendedor está em outra cidade ou no exterior, é idoso com dificuldade de locomoção ou há vários herdeiros.
- A procuração deve descrever o imóvel e os poderes com precisão, evitando poderes genéricos e amplos demais.
- A procuração pode ser revogada a qualquer tempo pelo outorgante e perde efeito com a morte dele.
- O comprador deve conferir a autenticidade e a validade da procuração no cartório antes de fechar o negócio.
O que é a procuração para vender imóvel
Procuração é o instrumento pelo qual uma pessoa (o outorgante) concede poderes a outra (o procurador ou outorgado) para agir em seu nome. Na venda de imóvel, ela permite que o procurador assine a escritura, receba o pagamento ou pratique outros atos da venda no lugar do proprietário, dentro dos limites dos poderes concedidos. Para aprofundar, leia também Vender imóvel herdado: inventário, partilha e venda.
Para a venda de imóvel, não vale qualquer procuração. O ato de alienar um imóvel exige forma pública, então a procuração precisa ser lavrada por escritura pública em Tabelionato de Notas (cartório de notas). Uma procuração particular, feita em casa ou por instrumento simples, não é aceita pelo cartório de registro para transferir a propriedade. Para aprofundar, leia também Documentos para vender imóvel: checklist completo.
O Código Civil, no artigo 657, estabelece que a procuração deve ter a mesma forma exigida para o ato a ser praticado. Como a venda de imóvel exige escritura pública, a procuração para vender também precisa ser pública.
Quando faz sentido usar procuração na venda
A procuração resolve situações em que o proprietário não pode ou tem dificuldade de comparecer pessoalmente aos atos da venda. Ela dá agilidade sem transferir a propriedade: o dono continua sendo o titular do imóvel; apenas autoriza alguém de confiança a agir em seu nome. Para aprofundar, leia também Como vender um imóvel: guia completo do vendedor.
- Vendedor morando em outra cidade ou estado, distante do imóvel e do cartório onde a venda será feita.
- Vendedor no exterior, que pode outorgar procuração em repartição consular brasileira.
- Pessoa idosa ou com dificuldade de locomoção, que prefere delegar os deslocamentos e assinaturas.
- Vários herdeiros que preferem concentrar os atos da venda em um deles, evitando reunir todos a cada assinatura.
- Proprietário com agenda incompatível com os prazos e horários dos cartórios e da instituição financeira.
Em todos esses casos, a procuração é uma comodidade legítima. O ponto de atenção é escolher um procurador de confiança absoluta e limitar bem os poderes, já que quem recebe a procuração de venda passa a poder praticar atos com efeitos patrimoniais relevantes.
Poderes específicos: o que deve constar
A recomendação de segurança é sempre usar procuração com poderes específicos, e não uma procuração ampla e genérica. Uma procuração 'para tudo' expõe o outorgante a riscos: o procurador poderia praticar atos além da intenção original. Poderes específicos delimitam exatamente o que pode ser feito e sobre qual imóvel.
- Identificação completa do outorgante e do procurador, com documentos e qualificação.
- Descrição precisa do imóvel, com número de matrícula, cartório de registro e endereço.
- Poder expresso para vender o imóvel, com ou sem indicação de preço mínimo, conforme a vontade do dono.
- Poderes acessórios necessários, como assinar escritura, dar quitação, representar perante cartórios e órgãos.
- Se autorizado, o poder de receber o valor da venda; muitos preferem reservar o recebimento ao próprio dono.
Definir preço mínimo e reservar o recebimento do pagamento ao próprio proprietário são duas travas simples que reduzem bastante o risco de uso indevido da procuração de venda.
Se procurador e comprador forem a mesma pessoa, ou houver conflito de interesse, cuidado redobrado: o chamado autocontrato tem regras próprias no artigo 117 do Código Civil e pode ser questionado. Nesses casos, oriente-se com um advogado antes de outorgar a procuração.
Como lavrar a procuração pública
Lavrar a procuração pública é um ato relativamente simples e rápido feito em qualquer Tabelionato de Notas. O outorgante comparece com seus documentos, informa os dados do procurador e do imóvel e os poderes que deseja conceder, e o tabelião redige e lavra a escritura de procuração.
- Documento de identidade e CPF do outorgante, além dos dados de identificação do procurador.
- Dados do imóvel: matrícula, cartório de registro, endereço e, se possível, cópia da matrícula atualizada.
- Definição dos poderes específicos e de eventuais limitações, como preço mínimo.
- Comparecimento presencial do outorgante ao cartório; muitos tabelionatos oferecem também a modalidade de e-notariado por videoconferência.
Quem está no exterior pode lavrar a procuração em repartição consular brasileira, ou lavrá-la no país onde está e depois providenciar a tradução juramentada e a legalização (apostila da Convenção de Haia, quando aplicável) para que tenha validade no Brasil. Confirme o procedimento exato com o consulado e com o cartório que fará o registro.
Quanto custa e quanto tempo leva
Os custos de uma procuração pública são emolumentos tabelados por estado e costumam ser modestos em comparação ao valor da venda. Não confunda com os custos da escritura de compra e venda, que são bem maiores e proporcionais ao valor do imóvel.
| Item | Onde é feito | Observação de custo e prazo |
|---|---|---|
| Escritura de procuração pública | Tabelionato de Notas | Emolumentos tabelados por estado; costuma sair em poucas dezenas a centenas de reais |
| Procuração via consulado (exterior) | Repartição consular brasileira | Taxa consular própria; pode exigir tradução e legalização adicionais |
| Reconhecimento e cópias autenticadas | Cartório | Custo pequeno por ato, conforme a tabela local |
| Revogação da procuração | Tabelionato de Notas | Nova escritura de revogação, com emolumentos próprios |
O prazo para lavrar costuma ser curto: com a documentação em mãos, muitas vezes a procuração fica pronta no mesmo dia ou em poucos dias. Consulte a tabela de emolumentos do seu estado e o cartório para os valores vigentes.
Validade, prazo e revogação
A procuração não tem, por lei, um prazo de validade universal: ela vale até ser revogada, cumprir sua finalidade ou se extinguir por outra causa prevista em lei. Na prática, porém, bancos e cartórios costumam exigir procuração recente, muitas vezes emitida há poucos meses, por segurança. Vale confirmar essa exigência antes de fechar a venda.
- Revogação: o outorgante pode revogar a procuração a qualquer tempo, lavrando escritura de revogação e comunicando o procurador e terceiros.
- Morte do outorgante: a procuração perde efeito com o falecimento do dono; a partir daí, o imóvel entra no inventário.
- Cumprimento da finalidade: uma vez realizada a venda para a qual foi dada, a procuração se exaure.
- Prazo estipulado: se a procuração indicar um prazo de validade, ela caduca ao fim dele.
Vender imóvel com procuração de pessoa já falecida é nulo: com a morte, a procuração perde efeito e o bem passa ao inventário. Esse é um dos pontos que o comprador precisa checar antes de fechar.
Riscos de fraude e como o comprador se protege
A procuração é um dos instrumentos mais explorados por golpes imobiliários, seja por procuração falsa, seja por procuração já revogada ou de pessoa falecida usada para vender imóvel de terceiro. Por isso, comprador e vendedor devem redobrar a cautela quando a venda envolve procurador em vez do próprio dono.
- Confirme a autenticidade da procuração diretamente com o cartório que a lavrou, e não apenas pela cópia apresentada.
- Verifique se a procuração não foi revogada e se o outorgante está vivo na data do ato.
- Cheque se os poderes descritos realmente abrangem a venda do imóvel específico, com matrícula correta.
- Desconfie de urgência artificial, preço muito abaixo do mercado e recusa em apresentar a procuração original.
- Sempre que possível, busque contato direto com o proprietário para confirmar a intenção de vender.
Muitos cartórios permitem consultar a autenticidade de atos notariais por meios eletrônicos. Para o comprador, essa checagem, somada à análise da matrícula e das certidões, é parte essencial da diligência antes de assinar. Uma venda por procuração legítima é segura; o risco está em não verificar.
Passo a passo para fazer a procuração com segurança
- Confirme que a procuração deve ser pública
Como a venda de imóvel exige escritura pública, a procuração também precisa ser pública, lavrada em Tabelionato de Notas. - Escolha um procurador de confiança
Selecione alguém de confiança absoluta, ciente de que ele poderá praticar atos com efeitos patrimoniais relevantes em seu nome. - Defina poderes específicos e limitações
Descreva o imóvel pela matrícula e conceda apenas os poderes necessários à venda, com preço mínimo e travas de recebimento se desejar. - Reúna a documentação
Leve documento de identidade, CPF, dados do procurador e a matrícula do imóvel ao tabelionato. - Lavre a procuração no tabelionato
Compareça ao cartório de notas (ou consulado, se estiver no exterior) para lavrar a escritura de procuração pública. - Oriente o comprador a verificar
Facilite a conferência da autenticidade e da validade da procuração pelo comprador, direto no cartório que a lavrou. - Revogue quando não precisar mais
Se a venda não se concretizar ou você mudar de ideia, lavre a revogação e comunique procurador e terceiros.
Com procuração pública, poderes bem delimitados e verificação por parte do comprador, a venda por procurador transcorre com a mesma segurança de uma venda presencial.
Perguntas frequentes
Que tipo de procuração é preciso para vender imóvel?
É necessária procuração pública, lavrada por escritura em Tabelionato de Notas. O artigo 657 do Código Civil exige que a procuração tenha a mesma forma do ato a ser praticado, e a venda de imóvel exige forma pública. Procuração particular não é aceita para transferir a propriedade.
Quando vale a pena usar procuração para vender?
Quando o proprietário está em outra cidade ou no exterior, é idoso com dificuldade de locomoção, há vários herdeiros que preferem concentrar os atos em um deles, ou a agenda é incompatível com os prazos de cartórios e bancos. A procuração dá agilidade sem transferir a propriedade.
Devo dar poderes amplos ou específicos na procuração?
Sempre poderes específicos. Uma procuração ampla e genérica expõe o outorgante a riscos, pois o procurador poderia praticar atos além da intenção. Poderes específicos delimitam o que pode ser feito e sobre qual imóvel, identificado pela matrícula.
Posso definir um preço mínimo na procuração?
Sim. Indicar preço mínimo de venda e reservar o recebimento do pagamento ao próprio proprietário são travas simples e recomendadas que reduzem o risco de uso indevido da procuração. Basta constar expressamente no texto da procuração.
Quanto custa uma procuração para vender imóvel?
Os custos são emolumentos tabelados por estado e costumam ser modestos, na faixa de poucas dezenas a centenas de reais, bem menores que os da escritura de compra e venda. Consulte a tabela de emolumentos do seu estado e o cartório para o valor vigente.
A procuração tem prazo de validade?
Por lei não há prazo universal: ela vale até ser revogada, cumprir sua finalidade ou se extinguir por outra causa. Na prática, porém, bancos e cartórios costumam exigir procuração recente, emitida há poucos meses. Confirme essa exigência antes de fechar a venda.
Como revogar uma procuração?
O outorgante pode revogar a procuração a qualquer tempo, lavrando uma escritura de revogação no cartório de notas e comunicando o procurador e eventuais terceiros. A revogação impede que o procurador continue praticando atos em nome do dono.
A procuração continua valendo se o dono falecer?
Não. Com a morte do outorgante, a procuração perde efeito e o imóvel passa a integrar o inventário. Vender imóvel com procuração de pessoa já falecida é nulo, e esse é um dos pontos que o comprador deve verificar antes de fechar.
Como fazer procuração estando no exterior?
É possível lavrar a procuração em repartição consular brasileira, ou fazê-la no país onde está e providenciar tradução juramentada e legalização, como a apostila da Convenção de Haia quando aplicável, para valer no Brasil. Confirme o procedimento com o consulado e o cartório de registro.
Como o comprador confere se a procuração é autêntica?
Confirmando diretamente com o cartório que lavrou a procuração, verificando se ela não foi revogada, se o outorgante está vivo e se os poderes abrangem a venda do imóvel com a matrícula correta. Muitos cartórios permitem consulta eletrônica de autenticidade dos atos.
É seguro comprar imóvel vendido por procuração?
Sim, desde que a procuração seja legítima e o comprador faça a devida verificação: autenticidade no cartório, ausência de revogação, poderes compatíveis e, se possível, contato com o proprietário. O risco não está na procuração em si, mas na falta de checagem.
O procurador pode ser o próprio comprador do imóvel?
É possível, mas exige cautela. Quando procurador e comprador são a mesma pessoa, há conflito de interesse e a figura do autocontrato, tratada no artigo 117 do Código Civil, pode ser questionada. Nesses casos, é prudente orientar-se com um advogado antes de outorgar a procuração.
Conteúdo informativo e educacional; não substitui a orientação de advogados, contadores ou corretores para o seu caso concreto.